24.5.2013 às 12:09

Bancos que não funcionam

Estava vendo o René de Paula Jr. (@renedepaula) reclamando que o banco dele praticamente não funciona em nenhum browser.

(sim, comecei a escrever esse post lá naquela época e esqueci de terminar)

O quão estúpido é isso? Estamos em 2013 e o banco simplesmente não funciona? É isso mesmo?

Site do Banco?

Antigamente, lá no começo da civilização humana, havia esse conceito de “site do banco” que era uma página onde o cliente podia ver informações e notícias sobre seu banco e, posteriormente, acessar algumas informações, limitadas, sobre sua conta com direito até a restrições de horário de acesso. Esse tipo de serviço foi evoluindo até chegar no ponto que é hoje, deixando se ser um “serviço extra” do banco e passando a ser O serviço do banco, a “única” interface de contato entre o correntista e seu banco.

Não existe mais esse conceito, que se tinha em lá em 1842, de “site do banco”. Isso que aparece na sua tela quando você digita http://seu.banco.b.br/ é o seu banco e é ali que você interage com sua conta bancária, realiza transferências, pagamentos, investimentos… Enfim, tudo que se pode fazer em um banco está ali. Claro, na prática não é bem assim, estamos num projetinho de país, mas você entendeu a ideia.

Eu fico impressionado com a incapacidade, por parte de muitas empresas, de perceber que forçar um cliente a usar um determinado browser é o mesmo que, em 1842, permitir a entrada na agência bancária apenas dos clientes trajando sapatos vermelhos com bolinhas azuis, cadarços verdes e cartola revestida de plumas marrom.

Chegarmos em pleno 2013 e ver que tem banco que não funciona na maioria dos browsers é a evidência de que vivemos em um “país” onde as empresas são tão descompromissadas que não gostam nem de ganhar dinheiro. Quer dizer, até gostam, desde que seja de forma ilícita ou que desagrade o cliente.

Gente, ninguém mais vai (não deveria, pelo menos) até uma agência bancária a menos que tenha ocorrido algum problema muito sério com a sua conta ou caso queira socializar (parece estranho, mas existem pessoas assim), então vamos parar de tratar como “serviços adicionais” ou “favores” os sites dos bancos e aplicativos para as diversas plataformas. Precisamos estabelecer o mind-set de que o site é o banco para que, talvez assim, essas empresas levem a sério essa forma de acesso.

Em tempo, aos bancos que ainda usam teclados virtuais: parem com essa palhaçada. Isso é inútil e só faz com que o cliente demore mais tempo para acessar a conta, ficando tão vulnerável quanto input via teclado ou mais, uma vez que qualquer pessoa que possa ver sua tela é capaz de ler a senha, acompanhando seus cliques. Entendo a segurança psicológica que esse tipo de interface passa, eventualmente, mas eu não fico exatamente confortável digitando minha senha de forma que todos que estejam à minha volta possam vê-la…

Leitura Complementar

Keyloggers and virtual keyboards/keypads are not secure

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